Advento: tempo de espera e esperança
"Permita-me fazer a você uma pergunta? Qual é o gesto de amor que você vai fazer neste tempo do Advento, que fala da presença do Senhor na sua vida? O seu gesto de amor e caridade pode fazer a diferença na vida de uma ou de muitas pessoas".
Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! Estamos iniciando o tempo do Advento e as quatro semanas que antecedem o Natal são de preparação, com uma intensa vida de oração e meditação para revivermos na fé o nascimento do Senhor Jesus, o Filho de Deus. Ele veio assumir, numa forma humilde e singela, a natureza humana, dentro do projeto de amor do Pai, de redimir a humanidade ferida pela dor do pecado.
O Advento é esse tempo de preparação para participarmos da Festa do Natal. Mas, a nossa preocupação não deveria ser, em primeiro lugar, com o nosso exterior, e sim com o nosso interior. Às vezes, manifestamos uma exagerada preocupação em iluminar a casa e o jardim, o que é muito bonito e naturalmente contribui para lembrar que “Jesus é a luz do mundo”. Mas corremos o risco de deixar na escuridão o nosso coração, porque temos medo de abrir suas portas e janelas para que entrem a luz do amor, da paz, da esperança, da justiça e da caridade, que nos fazem ver o “rosto” do menino que nasceu em Belém no rosto das crianças, dos jovens e dos idosos que vivem em situações de exclusão e abandono, na nossa realidade social.
O tempo de Advento é para ser vivido na espera e esperança, para celebrar a festa do Natal. Ele faz sonhar as crianças, mas também faz aflorar nos nossos corações de adultos recordações que marcaram a nossa vida de infância, no contexto familiar e comunitário. Mas o Advento também é um tempo privilegiado para tornarmos a ter grandes sonhos sobre a nossa vida, sobre o mundo e sobre a história humana. O sonho, quando é alimentado pela palavra de Deus, não é o lugar dos saudosismos ou dos idealismos, mas aquele onde a providência de Deus se faz concreta, histórica e possível; onde o projeto de amor de Deus encontra espaço no nosso coração e nos envolve numa corrente do bem, como construtores e promotores de paz, da justiça e da caridade, como “peregrinos de esperança”.
Permita-me fazer a você uma pergunta? Qual é o gesto de amor que você vai fazer neste tempo do Advento, que fala da presença do Senhor na sua vida? O seu gesto de amor e caridade pode fazer a diferença na vida de uma ou de muitas pessoas. Você pode, através do teu gesto de amor e caridade, ajudar a manter viva a mensagem de amor, de paz e esperança do Santo Natal.
Depois de mais de dois mil anos, a mensagem de paz, de amor, de solidariedade e de esperança do Natal continua tocando o coração de muitas crianças e adultos. Diante da alegria e do encanto de uma criança com os símbolos do Natal, nós, adultos, somos levados a refletir sobre as pequenas e belas coisas da vida que fomos perdendo no caminho que percorremos. O significado do Natal pode ter ficado na memória de um passado distante ou, quem sabe, fomos abandonando sua mensagem, deixando-a agonizar à margem da nossa vida, na medida em que os nossos passos e o tempo nos levaram para a realidade dos adultos. Perdemos o encanto de contemplar o brilho das estrelas, de contar pequenas estórias e falar das coisas do coração, que fazem bem à nossa vida, à nossa alma, nos enchem de esperança e ainda nos fazem sonhar, sem deixar de amar quem está ao nosso lado, porque alguém veio de muito longe para nos amar e falar do amor de Deus por nós. Não de um amor pequeno, mesquinho e egoísta, mas de um amor que tem a imensidão do universo e o sentido da eternidade, e está ao alcance dos corações dos “peregrinos de esperança”, que percorrem as estradas deste mundo, mas tem como “meta” a casa do Pai.
+ Dom José Gislon, OFMCap.
Bispo Diocesano de Caxias do Sul


