Discípulos e peregrinos orantes!
"Na vida da Igreja, a Palavra de Deus está no coração da liturgia, onde é proclamada, comentada, meditada e atualizada, para responder aos anseios do povo de Deus que peregrina para a casa do Pai, a Jerusalém celeste"
Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! Semelhante a uma semente pequenina, escondida sob a terra, o Reino de Deus germina, cresce e se transforma numa árvore gigantesca. E nos encoraja a olhar para o horizonte, com a grande esperança de podermos contemplar os raios de luz, da aurora de um novo dia, no qual não existirá mais a morte, o luto, a aflição, o choro, a dor, o lamento ou o cansaço. Então aparecerá a cidade da paz e da luz, da vida e do amor: a Jerusalém celeste. Nela, Deus será tudo em todos, porque através da morte e ressurreição de Cristo nasce a nova humanidade dos filhos adotivos de Deus, que o invocam como Pai, dando origem a uma nova criação, “libertada da escravidão e da corrupção” e destinada a “entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm 8,21).
Na vida da Igreja, a Palavra de Deus está no coração da liturgia, onde é proclamada, comentada, meditada e atualizada, para responder aos anseios do povo de Deus que peregrina para a casa do Pai, a Jerusalém celeste. Ela é também a alma do anúncio da fé e da catequese; é o alimento da vida espiritual de todos aqueles que querem aprofundar a comunhão com o Senhor, através da leitura, meditação e reflexão da sua Palavra. Quando a Palavra de Deus é acolhida no nosso coração e na nossa vida, ela pode se tornar o caminho, a verdade e a vida do cristão, no peregrinar da sua existência.
Mas a vida de fé precisa ser alimentada também através da oração pessoal ao Pai. São inúmeras as passagens bíblicas que nos falam da importância e do valor da oração. Tomemos como referência o texto do Evangelho de Mateus: “Pedi e vos será dado, procurai e encontrareis, batei e a porta vos será aberta” (Mt 7,7). Oração significa a palavra que dirigimos a Deus, louvando e suplicando-lhe. São Boaventura afirmava que pela oração se obtém todos os bens e a libertação de todos os males.
No Catecismo da Igreja Católica (CIC 2558-2865) encontramos o melhor tratado sobre a oração cristã, que a descreve desde o princípio como uma relação viva e pessoal com o Deus vivo e verdadeiro. Esse tratado dedica uma primeira seção à Oração na vida cristã, e uma segunda à Oração do Senhor: o Pai Nosso.
Para Jesus, a oração é uma necessidade vital, em primeiro lugar por conter a experiência de amor do Pai e manter com ele um diálogo de amor. Ao mesmo tempo, lhe dá a possibilidade de, através da oração comunhão, percorrer o caminho de fazer a vontade do Pai. Essa vontade é o seu alimento, para interceder, como Salvador, pelos homens, de modo especial por aqueles que o Pai lhe confiou, e para implorar luz e capacidade, quando deve tomar as decisões importantes, como a escolha dos doze (Lc 6,12).
O verdadeiro orante é Jesus Cristo: não só durante a sua vida terrena, tal como aparece nos Evangelhos, mas, agora, como Senhor Glorioso: ele louva o Pai e intercede pela humanidade. Nós nos unimos à sua oração. Essa oração, tanto a de Cristo como a da sua comunidade, é movida pelo Espírito Santo. Continua a cumprir-se o que disse São Paulo: “nós não sabemos orar, mas o Espírito ora em nós e nos move a dizer do fundo do nosso ser: “Abbá, Pai”! (Rm 8,15.26). São João Crisóstomo escreveu que “o homem mais poderoso é o que reza, porque se faz participante do poder de Deus”.
+ Dom José Gislon, OFMCap.
Bispo Diocesano de Caxias do Sul


